A crescente polarização política no Brasil tem assumido um caráter similar à paixão que os brasileiros nutrem pelo futebol. A "futebolização da política" é um fenômeno que vem se intensificando nos últimos anos, com o engajamento de cidadãos em torcidas organizadas em torno de seus partidos e líderes políticos preferidos. Tal fenômeno não apenas prejudica a construção de um diálogo saudável e democrático, como também alimenta uma cultura de cegueira e alienação política entre a população. Como disse o filósofo grego Sócrates, "Só sei que nada sei", evidenciando a importância de manter a mente aberta e humilde para aprender com os outros.
A origem desse processo de futebolização pode ser atribuída à crescente polarização ideológica no país, especialmente em torno das figuras de esquerda e direita. Cada grupo político passou a ser visto como uma equipe adversária, com o objetivo de vencer o jogo eleitoral. Isso leva as pessoas a adotarem uma postura defensiva, agressiva e, muitas vezes, irracional na defesa de seus "times" políticos, desconsiderando argumentos e propostas de outros grupos. A política, assim como a vida, não deve ser encarada como um jogo de soma zero, onde um ganha e outro perde, mas como um ecossistema em que todos buscam o bem comum.
Essa abordagem competitiva e tribalista da política contribui para a cegueira e alienação da população em relação aos verdadeiros problemas do país. A obsessão em defender e atacar os adversários políticos ofusca as discussões sobre políticas públicas e soluções efetivas para os desafios nacionais. Além disso, a falta de empatia e respeito pelo próximo resulta em um ambiente tóxico, onde o ódio e a intolerância substituem o diálogo e a cooperação. O filósofo alemão Immanuel Kant afirmou que "O ser humano é aquilo que a educação faz dele", ressaltando a necessidade de uma educação que promova a convivência harmoniosa e respeitosa entre os indivíduos.
É fundamental que os cidadãos brasileiros reconheçam a importância de transcender a lógica da futebolização da política. O debate público deve se basear em argumentos sólidos, com o objetivo de encontrar soluções para os problemas da sociedade, e não simplesmente vencer uma disputa ideológica. A superação dessa mentalidade demanda uma mudança cultural e educacional, na qual os indivíduos sejam encorajados a desenvolver habilidades de pensamento crítico, empatia e abertura para o diálogo. Tal como Platão descreveu em sua "Alegoria da Caverna", é necessário abandonar a escuridão da ignorância e adentrar no mundo das ideias iluminadas pelo conhecimento e pela reflexão.
Para reverter a futebolização da política no Brasil, é preciso repensar a forma como a população se engaja no debate público e nas decisões políticas. Isso envolve incentivar o acesso à informação, a educação política e o exerçam da cidadania ativa, bem como promover espaços de diálogo e discussão pluralista. Afinal, a democracia se fortalece quando os cidadãos estão dispostos a ouvir, debater e construir juntos, em vez de se limitarem a torcer por seus "times" políticos. Seguindo a máxima do filósofo francês Voltaire, "não concordo com o que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo", é imperativo valorizar a diversidade de opiniões e a liberdade de expressão.
Em conclusão, cabe a cada um de nós, como cidadãos responsáveis, tomar uma atitude e romper com a futebolização da política no Brasil. Devemos buscar conhecimento, cultivar a empatia e promover o diálogo respeitoso com aqueles que possuem opiniões diferentes das nossas. Seja por meio de debates públicos, participação em movimentos sociais ou a simples conversa com amigos e familiares, todos têm um papel a desempenhar na construção de um país mais justo e democrático. Como membros de uma sociedade plural e diversa, devemos abraçar as diferenças e trabalhar juntos em prol do bem comum, superando as barreiras que nos separam e unindo forças em busca de um Brasil melhor para todos.

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