O preconceito racial que existe no Brasil tem características ímpares. O
racismo brasileiro é um sentimento coletivo, não individual, incorporado na
sociedade e na cultura, que se comparado com o racismo sul-africano durante o
regime do Apartheid, revela-se muito mais grave, pois é um inimigo
invisível.
Muitas das leis que vigoravam no regime sul-africano do Apartheid estão
presentes no Brasil. No país de Mandela, as leis segregacionistas eram escritas,
formais, determinadas por uma constituição, já em nosso pais, tais leis estão
presentes, não em papéis, mas sim na cultura, nos costumes do povo.
Há um muro, uma barreira psicológica na mente de pretos e brancos, que
divide tais grupos em dois nichos distintos. O preto está confinado em uma
classe econômica, em uma região geográfica, em uma cultura, totalmente
diferente da do branco brasileiro da mesma forma que esse também está. Tal
barreira é um modo de censura natural sempre alerta a qualquer quebra da ordem
dos nichos. Quando tal ordem é quebrada, principalmente quando o preto entra
no ambiente branco, cria-se o estranhamento.
Exemplos de estranhamento são rotineiros em nosso dia a dia. Um preto que dá aulas de economia, que é uma área do conhecimento quase que exclusivamente
povoada pelos brancos, gera estranhamento por parte dos alunos, que se
perguntam: “Como assim? Meu professor de economia é negro? Nunca tinha visto
isso antes!” e se for perguntado ao aluno autor das indagações se ele é
preconceituoso, com certeza, ele dirá que não, sendo que muito provavelmente
ele realmente não o é! Quem é racista não são os indivíduos, mas sim a
sociedade como um todo. Isso é o chamado
preconceito cordial, que atua como um inimigo invisível, infiltrado na mente,
nas atitudes, no comportamento de cada cidadão, criando um Apartheid sem muros,
sem guardas, sem legislação preconceituosa, o que faz do caso brasileiro algo
muito mais grave do sul-africano, já que não há um inimigo claro para se
combater.
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